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Sob a ótica e a perspectiva de um grande artista contemporâneo

Guilherme Kramer, 38, paulistano, é um dos artistas plásticos mais autênticos da nova geração brasileira.
Artista apaixonado pela arte e pela cidade de São Paulo, Kramer expressa através de seu trabalho a admiração que tem pelas pessoas, pelos costumes brasileiros, crenças e gêneros de forma individual e sob tudo: “uma imensa vontade de se manter vivo”, completa o artista.
A Container Box, por ser uma empresa moderna e inovadora, se identificou tanto com o trabalho de Kramer, que o convidou para estrear o painel artístico do escritório e o resultado não poderia ser mais surpreendente: nossa ex-parede branca se transformou em um mural mental landscape (técnica do artista) incrível!

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Equipe Container Box no escritório

Nós próximos meses, teremos mais novidades do artista por aqui, mas por enquanto, que tal conferir a entrevista completa que fizemos com ele sobre suas principais influências e todo o trajeto de sua carreria? Confere ai:

•Kramer, quando de fato, você se descobriu artista?
Então, sempre desenhei. Quando era pequeno, desenhava com giz no chão da garagem de casa, apagava e começava tudo de novo, é uma compulsão que me acompanha até hoje, mas o engraçado era que não fazia ideia de que poderia viver disso, me parecia algo muito distante. No colégio desenhava as pessoas de forma muito bizarra, nem posso falar que aquilo era caricatura, mas era bem engraçado, nunca fiz curso ou aula, usava muito minha intuição, desenhava de forma muito livre, do meu jeito. Acho que isso foi um dos passos para alcançar um estilo próprio.

 

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•Quais são suas principais influências?
Sou muito influenciado pela arte popular brasileira, de maneira bastante ampla: máscaras populares, imagens barrocas, bonecos, festas populares, mitologia… Mas o que mais me inspira são as pessoas que moram nesse país. Gosto muito do jeito como o brasileiro fala, se expressa, sempre muito aberto, meio louco (risos). Enfim, nasci numa cidade com 20 milhões de habitantes, já parou pra pensar no quanto isso é inspirador? Misturo tudo isso com o expressionismo alemão (cinema) que aconteceu na década de 20, onde a principal característica era a distorção de cenários e personagens, filmado em preto e branco. Filmes como Gabinete do Dr. Caligari e Nosferatus e dois livros importantíssimos: Cartas a Theo e Entrevistas com Francis Bacon também foram fundamentais, além, é claro, as Pinturas de Van Gogh, Francis Bacon, Munch e Egon Shiele.

•O que a sua arte expressa?
Uma vontade imensa de nos mantermos vivos, de desbravar profundezas do nosso inconsciente. Procuro sempre criticar, provocar ou questionar temas como massificação, superpopulação com humor e ironia. Gosto de elevar o cidadão comum e desmistificar a celebridade e procuro entender a relação do homem com o mundo contemporâneo: religiões, gêneros, culturas.

•Como você definiria seu trabalho?
Bom, o meu trabalho tem como fio condutor o nomadismo como prática artística. Caminho pelas ruas para transformar lugares e seus significados, pois acredito que perder-se é confrontar-se com outras realidades, adquirindo outros estados de consciência. Isso transforma paisagens. E eu permito que o espaço me domine, para que então eu crie novos pontos de referência. Ao desbravar a cidade e suas margens, no grande labirinto de suas periferias, encontro personagens que vivem normas e vidas próprias, que mudam constantemente a cada esquina. Neste processo, o subconsciente é o protagonista. Busco meu estado contraditório: real e irreal, caótico e ordenado, mundo interior e exterior, a loucura e a cura. A partir dessa investigação e reflexão durante o percurso pelo desconhecido, surge uma rede de nervos, veias, galhos, raízes, asas, texturas, pelagens, olhos, bocas, expressões e sons que compões meus desenhos.

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Guilherme Kramer no escritório da Container Box